Como a Neuroplasticidade pode contribuir na reabilitação pós AVC

Como a Neuroplasticidade pode contribuir na reabilitação pós AVC

Após o AVC, a oportunidade de ter uma equipe multidisciplinar para acompanhar o paciente pode contribuir para a reabilitação de sequelas na fala, deglutição, equilíbrio e força motora, por exemplo. Os estímulos dos profissionais, de acordo com as limitações do paciente, buscam melhorar a sua qualidade de vida de acordo com os objetivos definidos em conjunto.

Nesse cenário, uns dos principais da Fisioterapia é a reabilitação da função muscular perdida para promover a independência do paciente em realizar as suas atividades, ainda que de forma adaptada.

É preciso compreender que a reabilitação não irá curar a lesão sofrida no cérebro. Diferentemente do que acontece quando fraturamos um osso ou machucamos a pele e novas células nascem para substituir as lesadas, quando um neurônio morre, não existe essa substituição.

Entretanto, nosso sistema nervoso tem a capacidade de se adaptar a novos estímulos, se modificar: outras partes do cérebro podem compensar parcialmente ou totalmente a função daquela área do cérebro que foi lesada. É o que chamamos de Neuroplasticidade.

Assim, outros neurônios próximos podem ajudar, por exemplo, o braço a receber comandos para melhorar o movimento. Os exercícios buscam capacitar o paciente para que ele apresente melhoras e progressões dentro da sua nova realidade.

A recuperação é lenta, mas ela pode acontecer independentemente do tempo da lesão. A compreensão de que a melhora ocorre aos poucos, com paciência, determinação e coragem são fundamentais para ter resultados mais consistentes e expressivos.

É preciso aproveitar cada oportunidade para enviar estímulos ao cérebro, para que ele responda e se adapte através da neuroplasticidade. Não é o caso de se sobrecarregar com as terapias, mas, de todos os dias, promover alguns esforços na própria rotina que contribuam para a evolução do quadro.

Os esforços precisam ser, ao máximo, prazerosos e úteis ao paciente, para que a sua independência em realizar atividades, fazendo aquilo que gosta, seja percebida por ele. Para tanto, a socialização e a participação na rotina da casa são importantes no processo.

O estímulo ao cuidado com animais de estimação, artesanato e caminhadas são bem vindos, de acordo com as capacidades motoras do paciente.

Como os desafios são grandes, o momento exige adaptação de objetos e ambientes. A diminuição às barreiras físicas irá contribuir para o desenvolvimento do paciente. Retirada de tapetes, adaptação para portas largas quando é necessário o uso de cadeiras de rodas, adaptações no banheiro, piso antiderrapante, dentre outras iniciativas contribuem para que a concentração dos esforços do paciente seja em estimular o seu cérebro em desenvolver novas capacidades de adaptação.

A importância da motivação diária para exercícios de reabilitação pós AVC

A evolução após o AVC tende a ser mais rápida quando realizada com prazer e dedicação, todos os dias um pouco. Manter a regularidade nos exercícios é importante para que os resultados sejam percebidos.

O uso do Biofeedback para guiar exercícios é um importante recurso nesse processo porque o paciente consegue visualizar em tempo real a sua capacidade de controle dos músculos. Na tela do celular, os desafios de um jogo são controlados pela tensão muscular do músculo selecionado, de acordo com as capacidades de contração e relaxamento personalizadas antes do início da sessão. Veja como funciona:

Todas as sessões de Biofeedback geram dados que podem ser enviados pela internet para um profissional que esteja acompanhado o caso. Dessa forma, ele poderá receber relatórios com os resultados medidos durante a sessão e consegue acompanhar a evolução dos exercícios e alterar os programas de treinamentos, conforme necessidades.

As sessões de Biofeedback também podem ser realizadas em casa, com monitoramento remoto de profissionais. Dessa forma, não há necessidade de deslocamento a cada sessão.

Treine em casa com a orientação remota de profissionais

O engajamento do paciente é fundamental para que o treinamento seja realizado de forma constante e consistente. Provavelmente, as coisas não serão como eram antes, mas é preciso enxergar as possibilidades dentro do seu cenário atual para melhorar a qualidade de vida. O profissional, em conjunto com o paciente, deve traçar objetivos para focar em exercícios que favoreçam a independência e a realização de atividades diárias que são importantes para o paciente.

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