Dicas de fisioterapia para AVCistas | Janaína Costa

Dicas de fisioterapia para AVCistas | Janaína Costa

Olá, me chamo Janaína Costa, sou Fisioterapeuta, com mestrado pela Universidade Trás Os Montes e Alto Douro (Portugal), professora das disciplinas de Fisioterapia Neurológica da Universidade de Passo Fundo (Rio Grande do Sul), por 13 anos e com experiência na reabilitação de pacientes neurológicos há mais de 18 anos.

Hoje, no quarto episódio do Falando sobre AVC com você, vou falar sobre dúvidas que meus pacientes relatam sobre as atividades do dia a dia após AVC e trazer dicas.

Janaina Costa-neuroUP

Dúvidas frequentes de AVCistas:

➡ Uma dúvida frequentemente relatada por todos meus pacientes é em relação a diversas atividades funcionais: “Por que não consigo pegar algum copo e beber água, por exemplo, conseguir atividades diárias como de alimentação?”

Quando o paciente tem AVC, existe uma dificuldade na sua postura, no movimento e na sua tonicidade muscular:

  • Ou está mais mole (hipotônica), se for numa fase inicial do AVC;
  • Ou está com a musculatura mais rígida (espasticidade), numa fase mais tardia.

Portanto esses padrões interferem nos movimentos. É necessário que o paciente seja trabalhado para que ele consiga realizar essas atividades posteriormente. Ou seja, o paciente precisa ser preparado para conseguir fazer essas habilidades funcionais mais complexas.

➡ Outra dúvida relatada por grande parte dos meus pacientes é sobre o ombro: “Por que de tanta dor, o porquê de tanta dificuldade no meu ombro?”

O mais comum é que, no processo de reabilitação, o paciente tente ser independente ao máximo. Ele pensa sempre em caminhar o quanto antes, em voltar as suas atividades de vida diária, mas acaba esquecendo o braço.

 

Ele acaba tornando-se cada vez mais habilidoso em fazer tudo com o braço que possui uma menor dificuldade e aí que está o maior problema. Quanto menos mexer, mais vai esquecer o lado com a dificuldade maior. É preciso que o cérebro reconheça o lado que há a dificuldade maior.

 

Para que possamos entender a dor no ombro, é necessário que entendamos como se processa a articulação do ombro.


A articulação do ombro tem a função de movimentação das mãos e dedos, ou seja, é uma articulação basicamente de mobilidade. Portanto, quando a musculatura fica mais parada, devido a imobilidade e alteração da tonicidade muscular pós AVC, é normal que comece a dor. Sem dizer toda a alteração postural que há pela alteração do tônus, normalmente paciente fica com ombro “desabado”.


A dica para a dor no ombro é que comece aos poucos, converse com seu fisioterapeuta, seu terapeuta ocupacional, mas não pare de mexê-lo, mesmo na sua casa. Faça pequenos exercícios, mesmo que simples: entrelace as suas mãos e faça elevação dos seus braços, fique de bruços e descarregue peso nos se ombros, de preferência, descarregue o peso no ombro que você tem a maior dificuldade. Quanto mais você movimentá- lo, mais estímulos sensoriais corretos você estará dando ao seu ombro.

➡ Outra grande dúvida é em relação a hipotonia do ombro, se afeta só idosos, ou se jovens podem ficar muito tempo com hipotonia no ombro.

O que poderia dizer é que a hipotonia afeta pacientes após AVC. Inicialmente, há uma fase mais flácida a qual denominamos fase hipotônica.

 

O que sabemos é que muitos idosos tem comorbidades como  hipertensão, problemas cardiovasculares, diabetes, e que muitas vezes tiveram AVcs prévios. Portanto, é necessária uma avaliação minuciosa por equipe multidisciplinar.


Sempre falo aos meus pacientes que cérebro é sempre uma “caixinha de surpresas”. Recentemente, dei alta há um paciente com 70 anos após AVC. Cada caso é um caso. Portanto, nenhum paciente é igual a outro. Você precisa se empenhar na sua jornada de recuperação.

➡ Por que a mão é tão difícil?

A questão da mão é o que mencionei anteriormente para ombro. É mais fácil para paciente pensar que é melhor fazer com outro lado, deixar a mão parada. Ele até tenta, e então, acaba se frustrando e acaba fazendo tudo do outro lado.

Aqui está o problema.


Mesmo que não consiga fazer, é necessário que tente fazer as coisas com as duas mãos.


Desde início do AVC (na fase hospitalar), é necessário que se comece a mexer a mão. Não a deixe parada: entrelace as mãos, faça exercícios, todos os dias.

Para que você consiga habilidades mais complexas como pegar um copo, é necessário que comece com as atividades mais simples.

➡ Aqui vão algumas dicas que poderão auxiliar você ou seu familiar:

  • Sempre que possível, fique de bruços, descarregando peso nos ombros, dando ênfase o lado de maior dificuldade.
  • O pouco que você conseguir ficar sentado, mesmo que com apoio de travesseiros, já é muito. Trará muitos benefícios.
  • Comece com atividades sentado, descarregando peso nos antebraços sempre.
  • Lembre-se para que você possa ficar em pé e possuir o equilíbrio nessa postura, é necessário se equilibrar sentado, bem como ter a habilidade das mãos para alcance.
  • Entrelace suas mãos e eleve seus braços.
  • Para que você consiga habilidades funcionais mais complexas como pegar objetos na postura em pé, por exemplo, é necessário que comece pelas atividades mais simples.
  • Exercite-se todos os dias.
  • Lembre-se: só você é responsável pela sua recuperação, tente, um dia de cada vez. Eu te digo que é possível. Nessa jornada de recuperação de AVC, já participei de inúmeras histórias incríveis e digo: é possível, basta acreditar.
  • E o mais importante: tenha um profissional fisioterapeuta lhe acompanhando, bem como uma equipe multidisciplinar.

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