[E-BOOK ] Bruxismo de Vigília: medição objetiva da função muscular

[E-BOOK  ] Bruxismo de Vigília: medição objetiva da função muscular

Como vimos nos materiais anteriores, um dos principais desafios no controle do Bruxismo de Vigília é a medição objetiva dos hábitos funcionais. Esse e-book tem objetivo de apresentar um guia prático sobre como medir e interpretar a atividade elétrica dos músculos mastigatórios.  

Os equipamentos de Biofeedback muscular são dedicados a medir o recrutamento das unidades motoras e de representar essa informação através de gráficos. Esses dispositivos possuem elevada sensibilidade, portanto são capazes de quantificar pequenas variações no nível no tônus que não podem ser quantificadas através de palpação.

Na prática, equipamentos mais atuais, como o Myobox da neuroUP,  já permitem que esses procedimentos sejam realizados com poucos minutos de preparaçãoOs sinais são enviados para celulares ou tablets, por Bluetooth, o que evita a presença de fios que podem incomodar o paciente e gerar ruídos no sinal.

Biofeedback muscular

Posicionamento nos músculos mastigatórios

Os equipamentos de Biofeedback são compatíveis com músculos de todo corpo. Para para este protocolo, devem ser posicionados no músculo Masseter ou na porção anterior do Temporal.

Apertamento dental - Bruxismo de Vigília - EMGA captação da atividade elétrica é realizada através do posicionamento do aparelho na superfície da pele com o uso de eletrodos adesivos (não-invasivo)

Um estudo publicado em 2019 demonstrou que ambos os músculos elevadores da mandíbula possuem sensibilidade suficiente para discriminar pessoas com Disfunção temporomandibular, durante avaliações de repouso ¹. Portanto, para esse objetivo, os equipamentos portáteis de um canal são suficientes para identificar as contrações parafuncionais realizadas no repouso. 

Os dados gerados por esse aparelho são complementares à avaliação clínica e irão aumentar a quantidade de informação para te auxiliar na tomada de decisão. 

1. Captação da atividade de repouso

Biofeebdack no Bruxismo de Vigilia - DTM e dor orofacialO primeiro passo para ter acesso a informações avançadas é a medição da atividade de repouso, durante 10 minutos. Nesse período, o participante é orientado a não falar e a evitar movimentos com a mandíbula. A pessoa poderá ficar com os olhos abertos ou fechados, como for mais conveniente. A pergunta que conduz essa avaliação funcional é:

  •  Será que o participante consegue permanecer com os músculos mastigatórios relaxados por 10 minutos?

Pode parecer fácil, mas essa atividade é extremamente difícil para as pessoas com Bruxismo de Vigília. Elas tendem a apresentar padrões de contração sustentada e/ou de contrações repetitivas, conforme descrito no último consenso internacional de avaliação do Bruxismo²

Após a coleta de atividade de repouso, a etapa seguinte é a interpretação dos dados gerados na sessão de avaliação. O sistema da neuroUP, por exemplo, é sincronizado com um serviço na nuvem que gera relatórios com gráficos da sessão, análises de biomarcadores e comparação estatística com a normalidade (serviço opcional).

2. Interpretação dos relatórios

A avaliação da atividade de repouso tem o objetivo principal de confirmar se a pessoa possui algum excesso de atividade muscular quando não deveria, ou seja, durante o repouso. 

Uma variável a ser analisada é a quantidade de contrações repetitivas realizadas por minuto. Esse marcador está relacionado com a agitação psicomotora e reflete a quantidade de movimentos realizados com a mandíbula. Essas ativações podem refletir os mais variados movimentos como, o contato rápido entre os dentes superiores e inferiores, mordidas na bochecha ou na língua, lateralizações ou movimentos de abertura e de fechamento da boca.

O segundo marcador analisado é a Potência muscular de repouso. Essa variável é calculada através da média da atividade de toda a sessão de avaliação. Esse indicador reflete o nível de tônus basal da pessoa, ou seja, informa se a pessoa, de fato, está em repouso ou em contração sustentada. 

Por esse motivo, esses valores tendem a estarem aumentados em casos de co-contração protetora ou durante momentos de concentração e estresse. Essa variável pode ser aumentada mesmo sem o contato dental, já que os músculos podem estar rígidos e com um leve aumento da sua atividade. Esse padrão é conhecido como Bracing.

Essas contrações são leves e costumam estar numa faixa de 10% a 20% em relação ao potencial máximo realizando durante um mastigação, por exemplo. Mas, o grande perigo dessas contrações é a duração delas. É comum que pessoas passem muitas horas por dia nesse estado.

Após ter acesso a essas informações, o sistema também permite a comparação estatística com bases de dados normativas. No caso do neuroUP Database, a comparação é realizada em relação a pessoas já treinadas com a técnica de Biofeedback e que não possuem sintomas clínicos relacionados com DTM (avaliados por especialistas). 

Nesse caso, a estatística utilizada é a Z-score. O valor resultante desse teste indica se os marcadores estão dentro ou fora da normalidade. Sempre que os scores forem maiores do que 3, a nossa leitura será que o marcador está com mais do que 3 desvios padrões acima da média da população normal. Essa análise é realizada como um nível de confiança maior do que 99,87% e é feita para cada um dos marcadores.

3. Sessão educativa para pessoas com Bruxismo de Vigília

Orientações para Bruxismo de Vigília - BiofeedbackApós analisar os gráficos e relatórios, um passo importante é a orientação dessas pessoas para que entendam de que os hábitos precisam ser modificados. O problema é que a maioria dos pacientes não notam ou não aceitam que possuem esses comportamentos inadequados. Portanto, uma grande missão dos profissionais é de conscientizá-los para que assumam uma postura ativa no processo.

Para isso, os sistemas de Biofeedback são grandes aliados, já que permitem a demonstração em tempo real desses hábitos. Uma coisa é você falar para a pessoa: “Apertar os dentes de forma excessiva pode ser prejudicial para a sua saúde”. Outra coisa é você solicitar que a pessoa aperte e mostre para ela o quão significativo é esse aumento, através do Biofeedback. Nesse contexto educativo, a máxima do ditado “Uma imagem vale mais que mil palavras” pode ser bem aplicada ao nosso favor. 

4. Treinamento para o controle dos hábitos funcionais e o relaxamento avançado

Após realizar as etapas anteriores, você terá acesso a dados objetivos dos padrões musculares e terá mais elementos para convencer a pessoa com a ter uma postura ativa no processo. Esse fluxo poderá realizado no mesmo dia da avaliação clínica, já que os resultados são visualizados em tempo real no aplicativo e os gráficos podem ser recebidos logo após a sessão.

Essas mesmas tecnologias também permitem o treinamento com o Biofeedback para ensinar as pessoas a terem controle sobre esses hábitos. 

Esse recurso ensina habilidades importantes, como: descobrir o melhor posicionamento da mandíbula (individualmente) e como reduzir o nível de vigilância do cérebro (controle do estresse). O Biofeedback é um treinamento cerebral (o princípio de atuação é do tipo Top-down).

A repetição desse treinamento faz com que a pessoa automatize novos hábitos e habilidades, portanto é um recurso que estimula a Neuroplasticidade cerebral. As sessões têm duração média de 10 a 20 minutos e o treinamento completo costuma durar entre 5 a 10 sessões totais, dependendo do desempenho. 

O intervalo entre elas pode ser de no máximo uma semana e não existe limite máximo de sessões realizadas em dias seguidos. Portanto, as sessões poderão ser realizadas de 1 a 5 vezes por semana. 

As pessoas que passam por esse processo tornam-se capazes de permanecer em repouso, durante 5, 10 ou 20 minutos. Esse tempo é suficiente para controlar episódios de tensão muscular e reduzir a sensação de dor ou desconforto nos músculos mastigatórios. 

Essas novas habilidades são aprendidas e os efeitos costumam ser duradouros. Uma revisão sistemática com meta-análise demonstrou que o controle muscular é mantido estável por pelo menos 15 meses ³.  

Conclusão

Conforme vimos no e-book, os instrumentos de Biofeedback tornaram-se fáceis de manusear e acessíveis, portanto são recursos que podem aumentar ainda mais a efetividade das abordagens tradicionais dos profissionais que atuam na área.

Com essas tecnologias você terá acesso à medição da fisiologia dos músculos, a dados objetivos para orientar os pacientes e a treinamentos que habilitam as pessoas a terem controle sobre os hábitos parafuncionais. 

Estamos à disposição para eventuais dúvidas e te convidamos a conhecer a tecnologia de biofeedback da neuroUP:

Bira Maciel

Diretor científico da neuroUP

contato@neuroup.com.br

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Referências: 

  1. Szyszka-Sommerfeld L, Machoy M, Lipski M and Woźniak K (2019) The Diagnostic Value of Electromyography in Identifying Patients With Pain-Related Temporomandibular Disorders. Front. Neurol. 10:180.
  2. Lobbezoo F, Ahlberg J, Raphael KG, Wetselaar P, Glaros AG, Kato T, Santiago V, Winocur E, De Laat A, De Leeuw R, Koyano K, Lavigne GJ, Svensson P, Manfredini D. International consensus on the assessment of bruxism: Report of a work in progress. J Oral Rehabil. 2018 Nov;45(11):837-844.

  3. Nestoriuc Y, Rief W, Martin A. Meta-analysis of biofeedback for tension-type headache: efficacy, specificity, and treatment moderators. J Consult Clin Psychol. 2008 Jun;76(3):379-96.

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