Estabilização segmentar cervical guiada por Biofeedback

Estabilização segmentar cervical guiada por Biofeedback

A estabilização segmentar é um treinamento que estimula o aumento da consciência e da ativação dos músculos profundos que dão sustentação à coluna vertebral. O recrutamento dessas estruturas é importante para evitar que as camadas mais superficiais assumam o papel de estabilização, o que, em muitos casos, pode levar ao aumento da tensão e a dores cervicais. 

Esse e-book é um guia sobre como utilizar a tecnologia de Biofeedback muscular para otimizar o aprendizado no treino de Estabilização segmentar na região cervical.

Estabilização segmentar na região Cervical

A estabilização segmentar é um importante recursos no treinamento da região cervical, já que permite o fortalecimento de músculos profundos, diminuindo assim a sobrecarga das estruturas superficiais.

Biofeedback do músculo ECOM - esternocleidomastoideoUm ensaio clínico randomizado demonstrou que esse treinamento apresentou resultados superiores, no longo prazo, em relação a outras modalidades tradicionais, em pessoas com cervicalgias¹. Portanto, é um importante recurso no combate a recidivas e no controle de longo prazo da tensão cervical.

O problema é que esse treinamento exige elevada consciência corporal para ser adquirido. Coordenar esses movimentos é um desafio para a maioria das pessoas, principalmente após a progressão de exercícios dinâmicos e combinados.

Uma forma de facilitar o processo é através de técnicas de Biofeedback. Essas tecnologias permitem a medição de variáveis biológicas e a transformação desses dados em informações sensoriais de fácil compreensão. Veja como esse recurso funciona na prática:

Biofeedback na estabilização segmentar

Com essa tecnologia, a pessoa poderá utilizar a visão ou a audição, por exemplo, para confirmar se está realizando os movimentos corretamente. Esse treinamento é realizado com os sinais captados na superfície da pele e que representam o somatório do potencial de ação das unidades neuromotoras.

Os equipamentos de Biofeedback possuem sensibilidade suficiente para identificar pequenas variações no tônus muscular, portanto fornecem uma capacidade de análise muito superior à palpação ou à observação a olho nu dos movimentos.

Durante a realização do treinamento, a pessoa recebe feedbacks em temporal de músculos específicos para evitar que compensações sejam realizadas. Dessa forma, o aplicativo ajuda a pessoa a perceber quando estiver ativando incorretamente os músculos superficiais durante os movimentos.

Esse recurso pode ser realizado em todos os músculos ou grupamentos musculares superficiais do corpo. Na região cervical, o Biofeedback pode ser utilizado para evitar a ativação de músculos como o ECOM, os Eretores da espinha, os Escalenos e o Trapézio superior, por exemplo.

Biofeedback por Eletromiografia (EMG)Por muitos anos, essa tecnologia de Biofeedback muscular ficou restrita a laboratórios e a grandes centros, mas, recentemente, passou a ser acessível, viável e fácil de utilizar. Isso aconteceu por conta do desenvolvimento de equipamentos sem fio e do uso de comunicação para smartphones e Tablets. Portanto, essa tecnologia é um grande aliado que pode ser incorporado facilmente aos programas de treinamento muscular.

Para facilitar a aplicação dessa técnica, nós elaboramos um protocolo com os aspectos práticos de uso e com a progressão dos movimentos para a estabilização da região cervical.

Posicionamento dos sensores de Biofeedback

O equipamento de Biofeedback deve ser posicionado na superfície da pele , acima do ventre muscular que desejamos reduzir a atividade (compensatórios). O dispositivo funciona com uma espécie “microfone” que colhe informações em tempo real e o feedback é realizado no aplicativo. Portanto, o aparelho não emite nenhum tipo de corrente terapêutica, é não-invasivo e indolor.

O primeiro grupamento a ser treinado para atingir o relaxamento são os Eretores Espinhais. Esses músculos são ativados durante a extensão do pescoço, mas também assumem a função de estabilização quando os Multifidos (flexores cervicais profundos e principais estabilizadores musculares) não estão sendo ativados de forma suficiente.

Os sinais são captados através de dois eletrodos adesivos que possuem a função de fixar o aparelho na pele e de realizar a condução do sinal elétrico para o aparelho. Esses sensores devem ser posicionados no mesmo sentido da fibra muscular para captar o fluxo de informação elétrica.

Além desses eletrodos, o sistema também utiliza um “ground” (terra) que tem a função de melhorar a qualidade do sinal captado.

Treinamento estático de estabilização segmentar

O primeiro passo é realizar o treinamento de estabilização na posição sentado. A pessoa é orientada a realizar movimentos sutis para direcionar a cabeça para trás e o queixo para baixo, a chamada retração cervical. 

A pessoa deverá sustentar essa posição posição por até 10 segundos, caso consiga. Esse movimento deverá ser realizado dez vezes e com um intervalo de até 20 segundos de intervalo entre as contrações.

Durante a realização desses movimentos, a pessoa deverá evitar que o sinal elétrico dos músculos extensores cervicais seja aumentado. O sistema de Biofeedback da neuroUP possui um algoritmo de inteligência artificial que regula o limiar (objetivo) de forma automática e individualmente. 

Além do feedback visual, o participante também recebe um feedback sonoro sempre que a potência muscular ultrapassa o valor determinado pelo aplicativo.

Na medida que a pessoa passa a atingir esse objetivo com facilidade, nós podemos aumentar a dificuldade com exercícios dinâmicos combinados.

Treinamento dinâmico de estabilização segmentar

A primeira progressão é a realização de movimentos de flexão anterior do ombro. No primeiro momento, a elevação deverá ser unilateral e, em seguida, bilateral.

É importante que essa ativação dos Multifidos seja realizada de forma antecipada aos movimentos, que seja sustentada até o final do exercício e que só seja finalizada após a conclusão da ativação dos membros superiores. Dessa forma, as contrações poderão ser realizadas com a coluna mais estabilizada e sem o uso de músculos superficiais do pescoço.

Em seguida, os mesmos movimentos poderão ser realizados com o sensor de Biofeedback posicionado no músculo Esternocleidomastoideo (ECOM). Trata-se de um músculo versátil e que participa de diversos movimentos cervicais. Portanto, acaba sendo um dos principais estabilizadores superficiais do pescoço.

O objetivo no aplicativo de Biofeedback é semelhante: realizar a ativação dos Multifidos, mas sem aumentar a tensão do ECOM. Essa missão também é dificultada quando essa estabilização é associada a contrações dinâmicas dos membros superiores. 

Após o treinamento com os Eretores da Espinha e do ECOM, o mesmo exercício pode ser realizado com objetivo de relaxar o Trapézio e Escalenos, de acordo com o padrão de compensação que for notado.

A progressão final é realizar o mesmo treinamento na posição de “gatas”, também conhecida como de “quatro apoios”. Essa postura faz com que os músculos estabilizadores trabalhem contra a força da gravidade. Portanto, o relaxamento dos músculos superfíciais passa a ser mais difícil. O movimenrto unilateral de flexão do ombro também ajuda a aumentar o nível de dificuldade desse movimento.

Com o passar do programa de treinamento, você irá notar que esses movimentos passam a ser mais naturais e automáticos. A repetição desses exercícios aumenta a consciência corporal e as pessoas tendem a automatizar essa ativação coordenada dos estabilizadores profundos.

O Biofeedback Muscular é um recurso acessível e que acelera as mudanças plásticas na motricidade a nível central (Neuroplasticidade). Portanto, é um instrumento com potencial para trazer objetividade e para otimizar os resultados de treinamentos de Estabilização segmentar.

Quer saber mais sobre essa tecnologia, acesse o site da neuroUP e tenha acesso a materiais gratuitos de leitura e informações:

Bira Maciel
Diretor Executivo da neuroUP

ubirakitan@neuroup.com.br

Referências:

¹ Dusunceli Y, Ozturk C, Atamaz F, Hepguler S, Durmaz B. Efficacy of neck stabilization exercises for neck pain: a randomized controlled study. J Rehabil Med. 2009 Jul;41(8):626-31. doi: 10.2340/16501977-0392.

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Este post tem um comentário

  1. Luiz Carvalho

    Muito bom e explicativo, p conteúdo e recursos visuais.

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