Estudo de caso – Biofeedback para Bruxismo em vigília e DTM muscular


Dando continuidade ao nosso estudo sobre o Bruxismo em vigília e a sua relação com as DTMs do tipo muscular. 


 

A segunda pergunta que ouvimos com mais frequência é:

Qual é o ganho clínico que o meu paciente paciente terá após ser submetido ao treinamento com o Biofeedback?

Para responder essa pergunta, gostaria de exemplificar através do caso clínico do paciente F.G.M, 52 anos, sexo masculino.

O paciente chegou ao consultório relatando dor intensa nos músculos mastigatórios, há mais de 20 anos. Ele referiu a pontuação 9 de percepção dolorosa na escala visual analógica (EVA, com variação de 0 a 10) e que a dor piora com a função dos músculos mastigatórios.

Escala EVA

Essa dor foi evocada através da palpação por dois segundos da porção anterior do músculo temporal e do músculo masseter.

Ele informou que já foi submetido a uma série de tratamentos medicamentosos e terapias físicas, porém nenhum desses tratamentos surtiu efeito por mais de um mês após o final das intervenções.  

O mesmo relatou que tomava por volta de 3 medicamentos analgésicos todas as vezes que percebia o início de um evento de dor, o que costumava acontecer por volta de 5 vezes por semana. Essa informação indica um potencial efeito rebote pelo uso excessivo de analgésicos. 

O paciente foi submetido a uma avaliação com a Eletromiografia de superfície (sEMG), em repouso, durante 10 minutos. Durante esse período, ele foi estimulado a utilizar o celular livremente para simular uma atividade de vida diária.

O resultado dessa avaliação indicou que a potência elétrica de repouso em 20,13 uV RMS, correspondendo a 18 desvios padrões acima da normalidade para a sua faixa etária (neuroUP Database).

Figura 1. Avaliação inicial da sEMG de repouso. Note que a potência elétrica manteve-se elevada durante toda a análise e média da sessão foi de 20,13 uV RMS.

Esse aumento da atividade de repouso é indicativo da presença de atividade parafuncional nos músculos mastigatórios, no caso do paciente, correspondendo ao padrão de “brancing” ou rigidez da mandíbula (LOBBEZOO et al., 2018). Essa resposta é esperada em paciente que realizam co-contração protetora em decorrência da dor muscular.

Logo após, o paciente iniciou um treinamento com o Biofeedback muscular. Após a quinta sessão, apresentou uma redução da potência elétrica de repouso para 2,32 uV RMS na reavaliação por EMG. Isso corresponde a uma redução de 88,4% em relação à avaliação inicial. Além disso, Ele também relatou uma redução do EVA para 1 (dor leve).

Figura 2. Avaliação final da sEMG de repouso (após cinco sessões de Biofeedback). Note que a potência elétrica manteve-se baixa durante boa parte da análise e a média da sessão foi de 2,32 uV RMS.

Nesse momento, após confirmarmos de que o aprendizado motor havia sido atingido, sugerimos ao paciente que realize o seguinte teste:

“Se o senhor sentir que uma crise de dor muscular irá aparecer, antes de tomar os analgésicos, realize de 2 a 5 minutos de relaxamento muscular, da mesma forma que aprendeu nas sessões de biofeedback. Caso a dor não passe, o senhor poderá tomar a medicação, como faria normalmente”.

E qual o resultado? O paciente reduziu o uso semanal de aproximadamente 15 analgésicos, para 2 semanais. E melhor ainda: esses efeitos foram mantidos após acompanhamentos em 2, 4 e 6 meses após o final do treinamento.

Qual foi a diferença nessa abordagem? O paciente foi empoderado com uma estratégia de controle da própria dor. Com isso, tornou-se apto a se tratar do próprio problema, sempre que necessário, livrando-se da necessidade de medicamentos analgésicos.

Resultados semelhantes a esses estão ocorrendo com centenas de pacientes, em todo o Brasil.

O Biofeedback já é um recurso acessível financeiramente, utilizado por mais de 65 especialistas no Brasil e que pode acrescentar objetividade e qualidade aos seus tratamentos.

Para saber mais informações, basta agendar uma ligação breve com um de nossos especialistas:

 

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Ubirakitan Maciel

Diretor científico da neuroUP

Mestre em Neurociências pela UFPE

contato@neuroup.com.br

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