O cérebro após o AVC: 4 dicas para acelerar a reabilitação

O cérebro após o AVC: 4 dicas para acelerar a reabilitação

O cérebro pode se recuperar após um AVC?

As perguntas mais comuns que as pessoas que tiveram um AVC fazem são:  “será que um dia voltarei a ter os meus movimentos?”, “Será que vale à pena continuar tentando me reabilitar?”,  “O meu AVC já faz tempo, então será que já é tarde para continuar tentando?”

Existem diversos fatores que contribuem para o sucesso da recuperação, como a extensão da lesão ou o grau de atividade física que pessoa já tinha antes do AVC.

💡 Porém, existem algumas estratégicas que podem te ajudar a otimizar esse processo de recuperação. Nós criamos esse e-book com o objetivo de te oferecer 04 dicas para potencializar a formação de novas conexões cerebrais para acelerar o seu processo de reabilitação no pós AVC. 

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Como o cérebro recupera-se após um AVC?

As pesquisas e a experiência clínica nos têm mostrado que o maior fator que pode influenciar no sucesso da reabilitação é a pessoa NÃO DESISTIR. A combinação entre repetição, motivação e a persistência são os principais motores para a recuperação acontecer. Mas, como isso acontece?

Neuroplasticidade AVCO nosso sistema nervoso possui uma incrível capacidade de aprendizado e de adaptação chamada de Neuroplasticidade. Esse processo permite que o cérebro reaprenda a realizar novas atividades, mas isso só acontece quando existem estímulos para que os neurônios se desenvolvam.

As células do cérebro que foram perdidas no AVC não se regeneram, mas nós temos muitos outros Neurônios que estão prontos para especializar-se nas funções que nós queremos ganhar. Mas, os neurônios precisam receber impulsos de forma repetitiva e sequencial para que esse processo aconteça.

A Neuroplasticidade é um fenômeno que acontece durante toda a vida, independente do tempo em que ocorreu o AVC. O nosso cérebro sempre irá possuir a capacidade de aprender, caso ele seja estimulado de forma correta e ativa, ou seja, com o comando e a participação da própria pessoa.

Sabemos que esse processo não é rápido e que exige bastante disciplina e paciência, mas, na prática, as pessoas que não desistem sempre terão a capacidade de evoluir.

Então, nunca é tarde para melhorar a sua qualidade de vida e para adquirir novas capacidades. Portanto, repito, nunca desista que irá valer à pena. 

Outro ponto importante é procurar o quanto antes a ajuda de especialistas nas áreas de Fisioterapia Neurofuncional, Neurologia, Terapia Ocupacional, Psicologia, Nutrição, Fonoaudiologia, etc. Esses profissionais te ajudarão a dar o impulso necessário para que você assuma o seu processo de recuperação e desenvolva-se sozinho, além de passar informações valiosas que irão te ajudar a entender melhor o momento em que está passando. 

  • Conforme combinado, aqui vão 04 dicas para acelerar o processo de recuperação cerebral após o AVC:

#1 Ative o seu cérebro durante o dia

Um erro muito comum que as pessoas comentem após o AVC é de parar de tentar movimentar as regiões afetadas.

O problema disso é que o nosso cérebro segue a lei do uso e desuso, portanto você só irá desenvolver as habilidade do cérebro se continuar tentando realizar essas contrações.

O problema é que, muita vezes, a pessoa tem a sensação de que o membro paralisado não responde mais ao comando do cérebro. Então, acaba desistindo de tentar ativa-lo. 

Porém, na maioria dos casos, ainda existe atividade neurológica nos músculos afetados,  mesmo que a pessoa ainda não veja o movimento acontecer.  Ou seja, ainda existe alguma conexão entre o cérebro e o músculo, mas ela AINDA não é forte o suficiente para você ver a contração acontecer. 

Portanto, insista na tentativa. Dessa forma, mais neurônios irão perceber esse estímulo constante e irão reforçar o padrão de ativação no cérebro. A dica é você incluir o uso das regiões  afetadas na maior quantidade possível de atividades do dia-a-dia.

Caso o movimento seja muito pequeno ou imperceptível, utilize o outro lado para iniciar ou para guiar a realização do movimento. Mas, sempre mantendo a concentração na tentativa do lado que precisa ser trabalhado. Alguns exemplos de uso do lado afetado são:

  • Ao utilizar o celular, tente utilizar a mão com sequelas como um apoio para segurá-lo.
  • Quando for comer, por exemplo, deixe o braço do AVC em cima da mesa e ajudando, sempre que possível, no apoio dos talheres. 
  • Quando for levantar, não esqueça de apoiar o peso no seu lado afetado.  

É muito importante que a pessoa evite de realizar todas as atividades do dia utilizando apenas o lado saudável. Caso contrário, o cérebro irá entender esse padrão e irá inibir ainda mais a ativação do lado que você precisa estimular. Caso isso aconteça, é possível que ocorra uma situação frequência chamada de Negligência Unilateral (de uma lado). 

Essa condição também depende da área que foi afetada pelo AVC, mas ela pode ser agravada caso a pessoa passe a ignorar o lado com sequelas na realização de tarefas diárias. Então, lembre-se sempre de incluir os membros afetados nas atividades mais simples, mesmo que seja apenas como um suporte para a realização de atividades do outro lado.

#2 Pratique a imaginação dos movimentos

Uma estratégia bastante utilizada na reabilitação após o AVC é chamada de Prática Mental, ou também conhecida como Imagética Motora. Essa técnica consiste em você imaginar a realização de movimentos, de forma repetitiva, mas sem realizá-los de fato.

Ao praticar na mente, o nosso cérebro tende a ativar as mesmas áreas envolvidas na realização dos movimentos que você precisa ativar na recuperação.

É como se você ensaiasse o movimento na mente, sem que de fato esteja realizando contração dos músculos. Essa prática deve ser realizada de forma repetitiva e, de preferência, diariamente. 

Sempre que você olhar para a mão, pode exemplo, você poderá imaginar que o movimento está acontecendo, mesmo sem tentar contrair os músculos.

Essa imaginação pode ser realizada levando em conta a sensação de movimentar, onde você pode simular na sua mente como se estivesse sentindo ele acontecer. 

Outra modalidade de Prática Mental é através da imaginação dos movimentos de forma mais visual.

É como se você estivesse “visualizando” o exercício acontecer no seu pensamento. Sugiro que você tente utilizar as duas estratégicas e identifique qual delas se sente mais confortável e qual considera que a imaginação foi mais rica em detalhes. 

A Prática Mental pode ser realizada, incialmente, de forma mais simples e com a representação mental de movimentos únicos. Portanto, podemos começar com a imaginação de movimentos de abertura dos dedos, do levantar o pulso, de dobrar o joelho e de levantar o pé, por exemplo.

Em seguida, você poderá avançar para ações mais complexas, como a sequência de movimentos para  alimentar-se ou para realizar a marcha (caminhada). 

É muito importante que você realize a decomposição dessas ações em cada etapa de movimento, dessa forma será mais fácil para o nosso cérebro entender a sequência e as estratégias de ativação individuais.

#3 Procure ajuda especializada no assunto

Conforme já dissemos no início, é muito importante receber o acompanhamento de pessoas que tiveram formação específica e que dedicam-se a tratar a situação que você está vivenciado.

Na Fisioterapia, por exemplo, existe a especialidade Neurofuncional que atua de forma dedicada ao Sistema Nervoso. Esses profissionais possuem experiência e conhecimentos mais aprimorados para entender a fase atual que você está e para direcionar os seus esforços de forma mais otimizada.

Muitas vezes, é possível acelerar meses de evolução apenas pelo fato de realizar os exercícios corretos e de forma personalizada para os seus objetivos diários.

Moodar. Plataforma de Terapia online

Além da Fisioterapia, existem vários outros profissionais que podem te ajudar a preparar o seu corpo e a sua mente para desenvolver todo o potencial que existe dentro de você. 

Dentre eles, destacamos a Psicologia Online (agende no site da Moodar) que irá te ajudar entender as suas emoções e te oferecer um apoio profissional para te guiar com as adaptações necessárias para essa fase.  

Nutricionista AVC neurológico
Dr. João Paulo Cecato. Especializado em Nutrição Neurológica

Outro atendimento muito importante e ainda pouco conhecido é a Nutrição especializada em pacientes Neurológicos (agende online no site). O Dr. João Paulo Cecato, por exemplo, sofreu 2 AVCS e vem dedicando grande parte dos seus esforços em estudar e atender pessoas que estão em diferentes fases de reabilitação após o AVC.

A Nutricão Neurológica é realizada de forma individualizada e tem o o objetivo de criar as condições para que a Neuroplasticidade ocorra de forma otimizada, além de preparar melhor os seu corpo para a realização dos exercícios.

Outra profissão que pode ajudar a se adaptar às situações práticas do dia a dia é Terapia Ocupacional.

Essa especialidade irá te ajudar a desenvolver a sua cognição, além de trabalhar estratégicas individuais que irão te ajudar a realizar as atividades diárias que você deseja retomar ou otimizar. 

Além disso, caso você tenha alguma dificuldade na deglutição (engolir alimentos) ou na fala, a Fonoaudiologia poderá te ajudar a desenvolver essas funções e melhorar bastante a sua qualidade de vida.

Outro ponto muito importante é fundamental manter as consultas regulares com médicos, como  Neurologistas ou Cardiologistas, para garantir que a sua saúde esteja em dia e para evitar outras doenças ou novos episódios de AVC. 

#4 Pratique exercícios avançados com o Biofeedback

Para as pessoas que já estão engajadas nos exercícios e desejam acelerar o aprendizado cerebral, existe uma técnica de treinamento cerebral chamada de Biofeedback. Esse recurso utiliza a tecnologia para medir o desempenho neurológico, em tempo real, enquanto a pessoa realiza os seus exercícios.

Essa tecnologia utiliza sensores que captam a atividade elétrica dos músculos, de forma não-invasiva e indolor. Esse sinais são enviados para um aplicativo em celular e tablet, portanto a pessoa consegue saber se está ativando corretamente o cérebro. 

Ao receber esse feedback, fica muito mais fácil do nosso sistema nervoso corrigir as estratégias e otimizar as conexões cerebrais relacionadas com essas movimentos.

O treinamento de Biofeedback pode ser utilizado tanto para aprender a relaxar, quanto para aumentar o desempenho dos músculos

Considerações finais

A recuperação no pós-AVC é um grande desafio para pessoa, familiares e cuidadores, mas é muito importante termos em mente que sempre existe possibilidade de melhorar a sua funcionalidade e qualidade de vida.

Mantenha o foco, comemore as pequenas conquistas e tenha certeza que esse esforço vai valer à pena quando você estiver conseguindo realizar as atividades de forma mais independente e segura.

Desejo uma ótima recuperação para você!

Caso tenha alguma dúvida, será um prazer conversarmos pelos comentários ou pelo Whatsapp. 

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Bira Maciel

Diretor científico da neuroUP

Mestre em Neurociências pela UFPE

Fisioterapeuta pela UFPE/UCAM (Espanha)

ubirakitan@neuroup.com.br

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Este post tem 2 comentários

  1. Ramon

    Muito bom o conteúdo, achei muitas respostas para as minhas dúvidas diárias. Tive um AVC hemorrágico, e conseguir entender melhor em relação aos movimentos.

  2. Ramon

    Muito bom o conteúdo, achei muitas respostas para as minhas dúvidas diárias. Tive um AVC hemorrágico, e conseguir entender melhor em relação aos movimentos.
    Muito legal!

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