O cérebro com bruxismo em vigília

O cérebro com bruxismo em vigília

O bruxismo em vigília é um comportamento dos músculos mastigatórios ¹ que pode ser um fator de risco para dores musculares, fraturas dentais e lesões periodontais. Esse hábito também pode desencadear falhas repetitivas nos trabalhos de restaurações dentais e próteses.

Porém, ainda se sabe pouco sobre as bases neurofisiológicas que levam a essa condição. Esse artigo tem o objetivo de analisar a gênese dos movimentos mastigatórios parafuncionais, tomando como base os circuitos cerebrais relacionados com a motricidade e o estresse. A pergunta principal é:

Por que a pessoas apertam os dentes quando não precisam?

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O CÉREBRO DURANTE A MASTIGAÇÃO

Mas antes, precisamos relembrar como funciona o controle dos músculos mastigatórios. O nervo trigêmeo é controlado por diferentes mecanismos cerebrais, de acordo o tipo de movimento solicitado.

O seu controle é diferente quando realizamos movimento funcionais, como o de mastigar alimentos, ou quando realizamos contrações involuntárias em resposta ao estresse.

O sistema motor somático é responsável pelos MOVIMENTOS VOLUNTÁRIOS, ou seja,  as contrações que ocorrem quando tomamos decisões conscientes.

Nesse caso, diversas áreas do córtex cerebral são ativadas para dar suporte às ações de planejamento e execução dos movimentos. Esse processamento ocorre em circuitos com a participação dos núcleos da base, tálamo, cerebelo e córtex cerebral (Figura 1).

Figura 1. Circuito cortico-estriado-talâmico. Os núcleos da base e o córtex cerebral atuam de forma integrada e em sistema de retroalimentação.  Fonte: Neupskey

De forma diferente, o SISTEMA MOTOR EMOCIONAL é um circuito ainda pouco conhecido e responsável pelas reações automáticas de proteção. Essas respostas motoras podem acontecer diante situações de medo, notadamente com atitudes de “congelamento” (aumento de tensão muscular), ou com comportamentos de fuga em resposta a estímulos nocivos. Entraremos em mais detalhes sobre esse circuito durante o texto.

O CÉREBRO COM ESTRESSE CRÔNICO

Mas como é que o nosso cérebro reage ao estresse? A vida moderna nos trouxe um aumento repentino da necessidade de tomar decisões complexas.

cérebro com bruxismo em vigíliaO estresse é uma resposta adaptativa a esses eventos que nos desafiam ou que nos colocam em perigo. E, até certo ponto, o estresse é uma reação benéfica para o nosso desempenho social. O estresse pode ser caracterizado como um conjunto de reações do nosso organismo a estímulos que ameaçam a nossa homeostase. No estresse, a causa externa dessas reações podem ser facilmente identificáveis e a cadeia de respostas tende a cessar com o desaparecimento da sua fonte estressora.

Mas, apesar da similaridade, é importante notarmos que o Estresse e a Ansiedade são condições clínicas diferentes. No segundo caso, o nosso corpo desencadeia as mesmas reações fisiológicas da primeira, porém na ausência de uma causa estressora aparente.

Essas reações são desencadeadas através da ativação de um circuito envolvendo o córtex e o eixo hipotálamo-pituitária-adrenal². A primeira resposta do nosso corpo é a liberação de Adrenalina, hormônio de ação rápida e que leva a um aumento abrupto da nossa disposição, agilidade e liberação de energia para enfrentar esses desafios (Figura 3).

As suas principais consequências são o aumento da tensão dos músculos, dos batimentos cardíacos, da frequência respiratória, da produção de suor, da dilatação pupilar e da liberação de açúcar (energia).

Figura 3. Fisiologia do estresse. Os eventos estressores ativam ações rápidas (Adrenalina) e lentas (Cortisol). Imagem: Hopestreetcentre.

Em seguida, ocorre a liberação do Cortisol, hormônio que passa mais tempo na corrente sanguínea e que regula a manutenção desse estado de alerta até o final do evento estressor.

O esperado é que ocorra uma diminuição desses hormônios após o desaparecimento do evento estressor. Desta forma, a pessoa pode retornar ao seu estado natural de repouso (Figura 4A).

adrenalina cortisol - DTM - músculos mastigatórios

Figura 4. Relação entre Estresse, Adrenalina e Cortisol. Imagem: hopestreetcentre O problema começa quando ocorre uma sobreposição desses eventos. Se um novo agente estressor vir a tona, antes mesmo do nível de Cortisol reduzir, então esse novo pico de Adrenalina irá desencadear uma nova subida desse segundo hormônio (Figura 4B).

Além disso, muitos desses eventos estressores acontecem de forma contínua ou por longos períodos de tempo. Esses estímulos podem estar relacionados com trabalho, relacionamentos, condições de moradia ou violência urbana.

Então, essa cadeia de reações passa a acontecer de forma prolongada, de maneira a ser considerado como Estresse crônico. Diversos estudos com animais demonstraram que, essa condição está relacionada com a redução do volume e da densidade de conexões sinápticas no córtex pré-frontal e no sistema límbico ³.

Em humanos, um estudo demonstrou que pessoas com estresse ocupacional crônico apresentaram atrofia nos núcleos da base e redução da massa cinzenta no córtex pré-frontal, evidenciados por análise de Imagem por ressonância magnética ⁴

Mas, o que o estresse tem a ver com os músculos mastigatórios?

 

CÉREBRO COM BRUXISMO EM VIGÍLIA

Como vimos anteriormente, uma das principais respostas ao estresse é a elevação do tônus dos músculos.

Um estudo demonstrou que a aplicação de um teste neuropsicológico com elevada demanda de concentração (Teste Stroop modificado) foi capaz de elevar os níveis salivares de cortisol e de elevar a atividade dos músculos masseter e da porção anterior do temporal ⁵.

A mastigação é uma das principais reações de enfrentamento ao estresse, tanto em animais com em seres humanos ⁶. Um estudo demonstrou que pessoas saudáveis apresentaram redução nas dosagens de cortisol e na geração de emoções negativas ao consumir goma de mascar em um experimento de estresse agudo ⁷ .

Talvez, por esse motivo, muitos pacientes com Bruxismo em vigília relatam uma breve sensação de bem-estar ao apertar os dentes ou morder objetos.

Uma possível explicação é o fato de que a mastigação é capaz de aumentar os níveis séricos da Serotonina ⁸, substância capaz de suprimir a atividade nociceptiva.

Um estudo demonstrou que a atividade mastigatória ativou significativamente o córtex prefrontal medial (ventromedial e ventrolateral) ⁹. Essas regiões desempenham um papel importante na regulação da atividade motora do nervo trigêmio em resposta a estados emocionais.

Essa modulação acontece através de vias entre o córtex prefrontal, o sistema límbico (cingulado anterior, insula e a amígdala) e vias descendentes para a medula, através da substância cinzenta periaquedutal (Figura 5).

Figura 5: Sistema motor emocional. A substância cinzenta periaquedutal é um núcleo na medula que regula as respostas motoras em decorrência do estresse, em ação conjunta entre o córtex e as regiões límbicas.

O problema é que esse comportamento pode ser inofensivo, no curto prazo, mas tem o potencial para promover efeitos deletérios, quando ocorrer em excesso.

A principal consequência negativa do Bruxismo em vigília é a dor muscular. Em muitos casos, o paciente poderá desenvolver uma Disfunção temporomandibular do tipo muscular, caso a função dessa articulação seja comprometida.

Além disso, a dor passa a ser um gatilho para a co-contração protetora dos músculos, gerando um ciclo vicioso.

Figura 6: Loop do hábito do bruxismo em vigília. A dificuldade no gerenciamento do estresse faz com que a pessoa contraia os músculos mastigatórios.

Esse ato desencadeia os circuitos serotoninérgicos descendentes, porém essa sensação dura poucos segundos e a necessidade de movimentar-se volta a aparecer.

É importante notar que, segundo o último consenso internacional, publicado em 2018, o Bruxismo em vigília também pode ocorrer durante contrações dos músculos mastigatórios sem contato dental ¹. O bracing é um padrão de contração na qual a mandíbula encontra-se rígida devido ao excesso de ativação dos músculos mastigatórios, mesmo com os dentes desencostados.

TREINAMENTO?

A forma mais efetiva de reduzir esses hábitos é através do condicionamento do cérebro. Com o treinamento correto, a pessoa se torna capaz de perceber os gatilhos e relaxar os músculos mastigatórios, sempre que necessário. A técnica mais efetiva para esse fim é o Biofeedback. Esse treinamento é baseado no fornecimento de reforços positivos e negativos, de forma sequencial. Veja como funciona o Biofeedback:

Ou seja, promover reforços positivos quando a pessoa atingir o relaxamentos dos músculos, dessa forma, ensinar as melhores estratégias e, por outro lado, promover reforços negativos sempre que o nível de contração muscular estiver aumentado.

O Biofeedback muscular é realizado com sensores que captam as contrações dos músculos em tempo real. As pessoas recebem informações precisas da própria tensão dos músculos através de estímulos audiovisuais. Desta forma, a pessoa irá aprender, ao mesmo tempo, a:

  • Reduzir a quantidade de movimentos parafuncionais
  • Controlar a tensão dos músculos

Nós preparamos um vídeo que demonstra o funcionamento do Biofeedback muscular durante o apertamento dos dentes:

Bira Maciel

Diretor científico da neuroUP | Mestre em Neurociências pela UFPE

ubirakitan@neuroup.com.br

neuroUP PRO | Biofeedback muscular com o software PRO anual | iOS e Android

Lançamento: receba o suporte completo para a implantação do seu serviço profissional de Biofeedback. A assinatura inclui: Certificação profissional (por videoconferência), equipamento Myobox 2+ (sensor portátil de biofeedback), anuidade do software PRO (relatórios estatísticos, módulos Premium de Biofeedback e backup dos dados na nuvem) e 100 eletrodos. Inscreva-se e faça parte de uma rede com mais de 170 profissionais na América Latina.

6x de R$441,83 sem juros

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Descrição

Tecnologia portátil de Biofeedback muscular

Medição objetiva da função muscular. Rápido, acessível e sem fios.

Como funciona o neuroUP PRO?

1

Contrate o
neuroUP PRO

Inscreva-se para fazer parte da rede de profissionais neuroUP. Você irá receber os materiais e orientações para implantar um serviço de  Biofeedback muscular

2

Receba o kit com equipamentos

O kit será enviado para o seu endereço através dos  Correios.  Você irá receber um equipamento portátil de Biofeedback (Myobox 2+) e um pacote com 100 eletrodos adesivos

3

Receba a Certificação em Biofeedback

Agende o seu treinamento para receber as orientações de uso por videochamada. As principais especialidades são: Orofacial, Neurofuncional, Biomecânica e Estresse.

4

Tenha acesso anual a todos os módulos

Ao final do pimeiro ano, a renovação dos módulos premium (neuroUP PRO) será opcional e com 10% Off. Sem ele, será possível visualizar os sinais em tempo real no app gratuito.

Tenha acesso a dados musculares com poucos minutos de preparação

Depoimentos

  • Tenho agora um recurso de avaliação objetiva que me permite identificar o grau de ativação muscular e ajudar a tornar conscientes os maus hábitos miofuncionais. Além disso, consigo mostrar, em uma escala visual, os progressos alcançados ao longo do treinamento. Não me vejo mais sem o neuroUP e os recursos de Biofeedback”.

    (Certificado em Biofeedback desde 2019)

    Paulo Soares

    Cirurgião Dentista | Especialista em Ortodontia e Ortopedia Facial
  • O Myobox tornou-se imprescindível no meu atendimento, pois é capaz de mostrar, em tempo real, se a pessoa está realizando a atividade muscular de uma forma correta. Ela consegue fazer correções naquele momento, tentando fazer cada vez melhor e, ao longo das sessões, pode ver o seu sucesso. Eu consigo mostrar a sua evolução.”

    (Certificada em Biofeedback desde 2017)

    Janaína Costa

    Fisioterapeuta | Experiência em Neurofuncional
  • A neuroUP é uma ferramenta mensurativa importante incorporada na minha rotina. Permite uma avaliação assertiva do bruxismo de vigília e os seus subtipos, norteando a decisão com a inclusão de método cognitivo comportamental, medindo a evolução e o controle sobre músculos e tensões.”

    (Certificado em Biofeedback desde 2017)

    Otávio Sartori Dutra

    Cirurgião Dentista | Especialista em Ortopedia Funcional dos Maxilares
  • O resultados obtidos têm sido excelentes. A vantagem é que a geração de relatórios possibilita apresentar aos resultados obtidos e desta forma eles conseguem acompanhar a evolução a cada sessão. A equipe de desenvolvedores sempre está disponível para sanar quaisquer dúvidas e nos atualizar sempre!”

    (Certificada em Biofeedback desde 2020)

    Vanda Lelis

    Cirurgiã Dentista | Especialista em DTM/Dor Orofacial

Perguntas frequentes

Para esclarecer eventuais dúvidas, nós criamos um FAQ com perguntas frequentes sobre o neuroUP PRO, basta clicar abaixo para ler:

 

O kit será enviado através dos Correios, para qualquer lugar do Brasil. Além do equipamento Myobox, é enviado um pacote com 100 eletrodos adesivos, que serão utilizados nas sessões.

O investimento poderá ser realizado por cartão de crédito, com até 6x sem juros, ou por boleto com desconto de 10% (insira o cupom: BOLETO).  

Inscreva-se

O serviço inclui:

▪ Certificação profissional em Biofeedback;

▪ Licenciamento do aplicativo da neuroUP (iOS e Android);

▪ Acesso anual ao módulos premium (relatórios das sessões, interfaces básicas e  avançadas de Biofeedback, backup dos dados na nuvem)

▪ Equipamento portátil de Biofeedback: Myobox 2+

▪ Pacote com 100 eletrodos adesivos. 

Não. Ao final do primeiro ano, você poderá optar pela renovação dos módulos premium (neuroUP PRO) com um desconto de 10% na segunda anuidade. Sem a contração do neuroUP PRO, será possível visualizar os sinais em tempo real no app gratuito da neuroUP.

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Dimensões do aparelho

5,5 x 4 x 1,8 cm

Compatível com

iOS (iPhone e iPad – iOS12 ou superior ) e Android (smartphones e tablets 6.0 ou superior)

O aplicativo é gratuito?

Sim. O aplicativo neuroUP estará disponível para download gratuitamente na Apple Store e PlayStore, sem limite de usos.

O aplicativo gera relatórios?

Sim. O neuroUP PRO é um serviço na nuvem que gera análises estatísticas e gráficos das sessões, além de possibilitar um backup de dos seus dados na nuvem para não perder nenhuma informação.

Memória RAM recomendada

1,5 Gb ou superior

Precisarei renovar no 2° ano?

A renovação do neuroUP PRO será opcional (R$961, com 10% OFF) e é referente aos serviços Premium: relatórios das sessões, backup dos dados na nuvem e acesso aos módulos avançados de Biofeedback. Sem esse serviço, será possível visualizar os sinais no app gratuito da neuroUP, em tempo real.

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Referências:

    1. Lobbezoo F, Ahlberg J, Raphael KG, Wetselaar P, Glaros AG, Kato T, Santiago V, Winocur E, De Laat A, De Leeuw R, Koyano K, Lavigne GJ, Svensson P, Manfredini D. International consensus on the assessment of bruxism: Report of a work in progress. J Oral Rehabil. 2018 Jun 21
    2. Yukihiko Yasui (July 5th 2017). Amygdala and Jaw Movements: A Hodological Review, The Amygdala Barbara Ferry, IntechOpen, DOI: 10.5772/67581.
    3. Lucassen PJ, Pruessner J, Sousa N, Almeida OF, Van Dam AM, Rajkowska G, Swaab DF, Czéh B. Neuropathology of stress. Acta Neuropathol. 2014 Jan;127(1):109-35. doi: 10.1007/s00401-013-1223-5. Epub 2013 Dec 8. Review. PubMed PMID: 24318124; PubMed Central PMCID: PMC3889685.
    4. Blix E, Perski A, Berglund H, Savic I. Long-term occupational stress is associated with regional reductions in brain tissue volumes.. PLoS One. 2013 Jun 11;8(6):e64065. doi: 10.1371/journal.pone.0064065. Print 2013.
    5. Bakke M, Tuxen A, Thomsen CE, Bardow A, Alkjaer T, Jensen BR. Salivary cortisol level, salivary flow rate, and masticatory muscle activity in response to acute mental stress: a comparison between aged and young women. Gerontology. 2004 Nov-Dec;50(6):383-92.
    6. Kubo K, Iinuma M, Chen H. Mastication as a Stress-Coping Behavior. BioMed Research International. 2015;2015:876409. doi:10.1155/2015/876409.
    7. Scholey A, Haskell C, Robertson B, Kennedy D, Milne A, Wetherell M. Chewing gum alleviates negative mood and reduces cortisol during acute laboratory psychological stress. Physiol Behav. 2009 Jun 22;97(3-4):304-12.
    8. Mohri Y, Fumoto M, Sato-Suzuki I, Umino M, Arita H. Prolonged rhythmic gum chewing suppresses nociceptive response via serotonergic descending inhibitory pathway in humans. Pain. 2005 Nov;118(1-2):35-42.
    9. Prolonged gum chewing evokes activation of the ventral part of prefrontal cortex and suppression of nociceptive responses: involvement of the serotonergic system. 

Este post tem 6 comentários

  1. Selma

    Gostei muito. Artigo muito bom, bem conciso e inteligente também completo

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