Posição da mandíbula e os músculos mastigatórios

Posição da mandíbula e os músculos mastigatórios

Uma das principais orientações que pacientes com dores orofaciais e Bruxismo de Vigília recebem é de que devem manter os dentes desencostados e os lábios selados. Essa orientação faz sentido, já que os músculos mastigatórios tendem a reduzir a atividade nessa posição.

O problema é que não basta desencostar os dentes para controlar as dores musculares, já que pequenas variações no ângulo de abertura da mandíbula podem ser decisivas para o sucesso ou insucesso dessa estratégia. Portanto, cada pessoa possui uma posição de repouso ideal da mandíbula.

Esse texto irá discutir a fisiologia relacionada com esses fenômenos e irá oferecer dicas práticas sobre como identificar a posição ideal de Espaço funcional livre da boca e a sua repercussão no manejo de pacientes com Dispositivos Interoclusais. 

Biofeedback muscular

Relação entre o apertamento e os músculos mastigatórios

A elevação da mandíbula é um dos principais movimentos da Articulação Temporomandibular (ATM). Esse deslocamento é responsável, entre outras funções, pelo fechamento da boca e pelo apertamento dos dentes. 

Os principais músculos que realizam essas contrações são o Masseter e a porção anterior do Temporal. Por tratarem-se de músculos pequenos, qualquer movimento sutil já é suficientes para aumentar consideravelmente a atividade elétrica deles. Isso acontece, por exemplo, quando realizamos a oclusão parcial ou total dos dentes, mesmo sem forçar.

▶ Veja um vídeo da atividade elétrica do músculo temporal durante o apertamento dos dentes:

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Por esse motivo, as pessoas com Bruxismo de Vigília, comportamento motor caracterizado pelo excesso de atividade repetitiva ou sustentada desses músculos, tendem a desenvolver disfunções nessas estruturas. Isso acontece, devido à sobrecarga causada nos músculos, durante muitas horas de vigília. 

Disfunção temporomandibular (DTM) e Bruxismo de Vigília

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Pessoas com Bruxismo de Vigília têm grandes probabilidades de desenvolver DTMs do tipo muscular. Essas patologias estão relacionadas à dificuldade em realizar funções essas estruturas. Nesses casos, a pessoa pode sentir dor ou fraqueza durante a mastigação, além da sensação de cansaço ou desconforto, na face e na região temporal. 

Um fator agravante é que as pessoas com dores crônicas costumam ter dificuldade em perceber o próprio nível de tensão dos músculos, por conta da redução da consciência corporal. Portanto, aprender a relaxar os músculos mastigatórios pode ajudar pessoas com DTM.

Relação entre a posição articular e o tônus muscular

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A atividade dos músculos esqueléticos depende de uma série de níveis de controle neurológico. O Sistema nervoso central (SNC) coordena a geração de contrações voluntárias, o Sistema Nervoso Autônomo (SNA) influencia o tônus de acordo com o nível de arousal e o Sistema Nervoso Periférico realiza a modulação da atividades dos músculos, à nível medular. 💡 Leia mais: O Cérebro com Bruxismo de Vigília.

Esse último, é responsável pelas reações reflexas que nos protegem de movimentos e posturas incompatíveis com a manutenção da fisiologia.

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As reações reflexas são realizadas através da participação de receptores sensoriais proprioceptivos e da medula espinhal.  Os nossos músculos são dotados de sinalizadores, chamados de Fusos Musculares, que detectam as variações abruptas no comprimento das fibras.

Ou seja, eles são ativados sempre que realizamos movimentos rápidos de abertura da boca. A resposta reflexa ocasiona a contração dos músculos elevadores da mandíbula. Portanto, o Temporal e o Masseter são ativados para evitar lesões nas estruturas relacionadas com a ATM. Veja um vídeo com a demonstração desse fenômeno:

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Por esse motivo, é importante ter cuidado ao tentar alongar os músculos através de movimentos passivos rápidos. Nesses casos, você estará ativando essas estruturas, ao invés de relaxar, como seria a intenção. 

Imagem relacionadaAlém das variações rápidas, nós também temos um sistema de sinalização para evitar a manutenção de posturas que causam o estiramento dos músculos. Os Órgãos Tendinosos de Golgi (OTG) são receptores que são ativados para evitar o aumento da tensão das fibras musculares em posições incorretas. A consequência é a mesma da ativação dos fusos musculares: o aumento do tônus dos músculos.

Por isso, os músculo só atingem o relaxamento máximo quando estão em posição neutra (Espaço funcional livre adequado) e quando não estão sofrendo influência das vias superiores do sistema nervoso central e autônomo. 

Espaço funcional livre (EFL)

Cada pessoa possui um valor ideal de Espaço funcional livre, que representa a distância entre as superfícies oclusais dos dentes mandibulares e maxilares (superiores e inferiores), em repouso.

Nessa posição , o esperado é que os músculos mastigatórios estejam, de fato, relaxados. Por esse motivo, os cirurgiões-dentistas precisam ter cuidado ao confeccionar o Dispositivo Interoclusais, para que a sua altura não seja nem maior, nem menor que o ideal,  para cada paciente.

O problema é que nem sempre é fácil determinar esse valor sem o uso de instrumentos objetivos de medição da atividade elétrica dos músculos.

 💡Mas, como identificar a posição articular de maior equilíbrio biomecânico para a ATM?

Imagina se nós pudéssemos “ver e ouvir” o nível de contração dos músculos, em tempo real? Desse forma, seria mais fácil de identificar a melhor posição articular que oferece o equilíbrio biomecânico para a ATM.

A técnica de Biofeedback utiliza sensores que captam informações sobre o nível de tensão muscular. Esses sinais são enviados para aplicativos que os transformam em  estímulos sensoriais de fácil compreensão.

Dessa forma, é possível realizar a medição objetiva do efeito da posição articular nos músculos mastigatórios.

A atividade dos músculos tende a reduzir na medida que os dentes vão sendo desencostados. Porém isso só ocorre até determinado limite, que varia em cada pessoa. À partir desse ponto ideal, o sinal elétrica volta ao aumentar gradativamente. Portanto, essa ferramenta facilita a identificação objetiva e, em tempo real, da resposta dos músculos em casa posição. 

Porém, é necessário observar que o aumento da atividade do Sistema Nervoso Autônomo (Simpático), relacionado com o estresse e aumento do arousal, também precisa ser controlado para atingir o relaxamento máximo. Portanto, o controle do estresse com a técnica de Biofeedback muscular costuma ser necessário, em muitos casos.

Atualmente, já é possível realizar a captação dessa atividade muscular através de equipamentos portáteis, de fácil uso e que enviam os sinais para smarphones e tablets. Portanto, uma sessão de Biofeedback pode ser realizada com poucos minutos de preparação.

Gostaria de ver uma demonstração ao vivo dessa tecnologia? Agende uma demonstração:

Bira Maciel

Diretor científico da neuroUP

contato@neuroup.com.br

Biofeedback muscular

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