O papel do paciente no processo de reabilitação pós-AVC

O papel do paciente no processo de reabilitação pós-AVC

Você sabia que cerca de 50% das pessoas que sofreram um AVC tornam-se dependentes de outra pessoa devido às sequelas deixadas pela doença? E que o AVC é uma das principais causas de óbito no Brasil? Esses dados são muito preocupantes; porém, com o avanço das tecnologias da área da saúde, as chances de sucesso no tratamento são cada vez maiores. Entretanto, para isso se tornar realidade, é preciso ter consciência do papel do paciente no processo de reabilitação pós-AVC e de que maneira é possível potencializar os resultados.

Portanto, neste texto, iremos explicar quais são as sequelas mais comuns no pós-AVC, como os exercícios fazem a diferença na reabilitação e a importância do engajamento do paciente no tratamento. Saiba mais.

Conheça as sequelas mais comuns

Quando o cérebro deixa de receber sangue e oxigênio, funções como a fala, a visão e a movimentação dos membros superiores e inferiores podem ficar comprometidas. E é isso que acontece durante um AVC – acidente caracterizado por uma interrupção súbita no fluxo sanguíneo.

O AVC pode causar alterações motoras, sensitivas, de linguagem, equilíbrio e consciência. Além disso, também pode causar dificuldades para engolir, problemas psicológicos e emocionais, dependendo da área afetada.  As sequelas mais conhecidas são a paralisia, os espasmos e a rigidez muscular (espasticidade). Consequentemente, atividades simples do cotidiano podem se tornar impossíveis. Por isso, é fundamental que os pacientes com essas sequelas realizem acompanhamento fisioterapêutico e iniciem os exercícios de reabilitação pós-AVC o mais cedo possível. O tratamento tem como objetivo o aproveitamento da neuroplasticidade do cérebro. Porém, o processo de recuperação não é um caminho fácil: é uma evolução gradual que exige comprometimento.

Como os exercícios podem ajudar na reabilitação pós-AVC?

Como nós já explicamos por aqui, durante muito tempo, acreditou-se que o cérebro não podia aprender novas funções neuromusculares. Mas, devido à plasticidade neuronal, é possível, sim, que nosso sistema nervoso se adapte a novos estímulos. E é aqui que entram a fisioterapia e os exercícios de reabilitação pós-AVC.

Através de atividades de treinamento neuromuscular, é possível que outras partes do cérebro aprendam a compensar, de forma parcial ou total, a função da área afetada. Os benefícios dos exercícios incluem o aumento da força, a redução da espasticidade, maior controle das funções musculares e maior autonomia na movimentação. Contudo, para que o cérebro consiga se adaptar a novos estímulos, é preciso alta frequência de treinamento. 

Estudos científicos já demonstraram que, quanto mais exercícios feitos de forma correta, melhor a recuperação. Com o avanço das tecnologias, já é possível, inclusive, realizar exercícios de reabilitação motora na própria casa. Seja com a fisioterapia à distância, ou com técnicas de treinamento domiciliar orientadas por profissionais. A prática potencializa os resultados, pois possibilita que o paciente agregue as atividades ao seu cotidiano, sem ter que ir até a clínica para praticar.

Além disso, é essencial que uma equipe multidisciplinar acompanhe os pacientes desde o início do AVC. Desse modo, os especialistas irão orientar as atividades de maneira correta. Durante esse período, o auxílio da família também é muito importante. Seja ajudando na manutenção de posturas adequadas e prevenindo a ocorrência de acidentes ou incentivando a continuidade do tratamento.

A importância da aderência do paciente ao tratamento

Uma das grandes dificuldades no tratamento de sequelas do AVC é a aderência do paciente à reabilitação. Isso acontece porque pode ser difícil observar sinais de melhora nas primeiras sessões, o que acarreta falta de confiança, desânimo e decepção com o processo.  Contudo, ainda que não seja possível observar mudanças no começo, você está exercitando seu cérebro. É uma questão de tempo para ver essa atividade refletida em movimento. 

Além disso, atualmente existem técnicas que captam a atividade muscular  e a transmitem para um software ou aplicativo. O que permite que o paciente enxergue claramente que está havendo atividade neuromuscular.

É fundamental compreender que o caminho da terapia realmente é lento, mas cada passo importa. O papel do paciente no processo de reabilitação pós-AVC é persistir e se esforçar para realizar quantos exercícios forem possíveis a fim de potencializar seus resultados.

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