Saúde baseada em evidências

Na prática clínica, os profissionais de saúde precisam tomar uma série de decisões sobre diagnóstico, prognóstico e recomendações de intervenções para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A prática da saúde baseada em evidências consiste em utilizar os melhores conhecimentos científicos disponíveis para nortear estas decisões clínicas em situações reais do dia-a-dia.

Este paradigma é baseado em um tripé, no qual as condutas terapêuticas devem ponderadas com base na experiência do profissional de saúde, as opiniões/valores dos pacientes e os achados dos principais estudos na área de conhecimento em questão.

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Mas, como todo tripé, todos esses três pontos devem ser levados em consideração em conjunto.

Cada paciente apresenta peculiaridades, e está inserido em contextos, muitas vezes, diferentes dos cenários controlados pelos estudos. E além disso, cada profissional de saúde desenvolve uma série habilidades individuais que influenciam na efetividade dos procedimentos a serem fornecidos aos pacientes.

Figura 1. Tripé da Saúde baseada em evidências

Qualidade versus importância da evidência

A principal função da ciência é questionar os conceitos atuais de “verdade” e evoluí-lo para melhorar o entendimento das pessoas sobre a natureza. Portanto, um conhecimento tido, hoje, como correto, pode passar a ser questionável, logo em seguida. Então, devemos ser críticos ao interpretar os resultados dos artigos científicos e é importante nos atentarmos aos métodos utilizados e às limitações naturais que cada desenho experimental considera.

Devido ao grande número de variáveis de confusão que podem acontecer nos artigos, a comunidade científica vem aprimorando critérios para mensurar nível de “qualidade” de um estudo científico na área de saúde. Um exemplo é o sistema GRADE (Grading of Recommendatons Assessment, Development and Evaluaton), método que classifica o nível de evidência e o grau de recomendação de uma técnica para determinada situação clínica. Este critério vem sendo utilizado por instituições como a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Mas, por outro lado, existem artigos classificados como de “baixo nível de evidência” para a tomada de decisão clínica, como os estudos pilotos, relatos de caso e pesquisa básicas com animais. Porém, estes estudos podem ser de elevada “importância” para a ciência e muitas vezes têm o potencial de gerar mudança significativas de paradigmas, influenciar uma série de pesquisas seguintes e modificar a forma de tratar determinada patologia.

Já em outros casos, os profissionais só têm acesso a evidências indiretas, nas quais o cenário clínico do paciente é semelhante ao descrito na literatura (faixa etária, sexo, fisiopatologia), então o profissional pode tomar a decisão de extrapolar estes achados para o caso clínico em questão.

Níveis de evidência científica

Os níveis de evidência científica podem ser representados graficamente através de uma pirâmide, na qual os artigos possuem maior nível de evidência à medida que se aproximam do topo da imagem (Figura 2).

Figura 2 Pirâmide da evidência científica em saúde. (fonte)

A modalidade de estudo como maior nível de qualidade é a revisão sistemática, publicação que tem o objetivo de responder um pergunta condutora através da mixagem de informações de diversos autores independentes.Este tipo de pesquisa também pode conter metanálises, técnica estatística que integra e correlaciona os resultados dos estudos selecionados.

Em seguida, nós temos os ensaios clínicos randomizados controlados. Esses estudos são experimentais e são desenhados para testar os efeitos intervenções específicas. Portanto, é esperado que os autores destes estudos controlem variáveis críticas como o efeito placebo, o tamanho da amostra e os possíveis vieses de seleção, além de realizar corretamente a randomização dos participantes e o “cegamento” das informações oferecidas a cada ator da pesquisa. Iremos comentar sobre esses fatores nas próximas publicações.

 
Bira Maciel

Mestre em Neurociências e Fisioterapeuta pela Universidade Federal de Pernambuco.

Diretor Científico da NeuroUP.

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