Visualize os resultados da reabilitação pós-AVC com o Biofeedback

Visualize os resultados da reabilitação pós-AVC com o Biofeedback

Uma das principais dificuldades na reabilitação motora após o Acidente vascular cerebral (AVC) é a medição da evolução dos resultados. Mesmo quando o corpo está respondendo corretamente aos treinamentos, os ganhos podem ser imperceptíveis ou não serem suficientes para garantir a motivação com o passar do tempo.

Dependendo da intensidade dos sintomas, a pessoa tem a sensação de que perdeu o controle sobre os músculos. As principais dúvidas que ficam são: “será que eu ainda irei evoluir?” e “será que vale a pena continuar tentando?”. 

É importante lembrar que o nosso cérebro possui uma alta capacidade de aprendizado, a chamada neuroplasticidade. Na maioria dos casos, mesmo que a pessoa não perceba, ela ainda possui atividade elétrica nos músculos e neurônios no cérebro com o potencial para assumir uma parte ou a totalidade da função perdida, a depender da extensão da lesão. 

Mas, como “visualizar” a atividade elétrica dos músculos para saber se os exercícios que estou fazendo estão gerando os resultados desejados de adaptação cerebral?

Conheça o Biofeedback

Desde a década de 70, uma tecnologia chamada de Biofeedback vem sendo utilizada nos maiores centros reabilitação do mundo no treinamento motor após o AVC. Nos últimos anos, esse recurso passou a ser acessível com aparelhos portáteis e fáceis de usar, o que vem facilitando o crescimento dessa técnica aqui no Brasil. Veja como funciona:

Tecnologia Biofeedback

Os exercícios podem ser realizados com a orientação de jogos em Smartphones e Tablets controlados pelos músculos para facilitar a compreensão e tornar o processo mais lúdico.

Além disso, os sistemas de Biofeedback também permitem a geração de gráficos e de relatórios com dados objetivos de cada sessão. 

As informações geradas por essa medição revelam a evolução da fisiologia muscular, o que costuma acontecer antes da melhora visível na função dos músculos. Assim, é possível acompanhar os resultados de forma mais precisa e favorecer o engajamento durante a jornada. 

O Biofeedback é uma tecnologia que utiliza sensores para medir a atividade elétrica dos músculos, mesmo nos casos onde a contração muscular está reduzida (hipotonia) ou excessiva (espasticidade).

Diversos estudos demonstraram que o Biofeedback potencializa os efeitos de treinamentos convencionais para a melhora da marcha ¹, da movimentação do pé (dorsiflexão) ², da funcionalidade das mãos ³ e para a diminuição da espasticidade ⁴.  

Portanto, a literatura tem mostrado que esse recurso pode potencializar e acelerar os resultados da terapias motoras convencionais de Fisioterapia Neurofuncional e Terapia Ocupacional.

Para entender melhor o princípio de atuação do Biofeedback, nós podemos utilizar uma analogia: imagine uma pessoa tentando maquiar o próprio rosto (ou fazer a barba) sem olhar para um espelho. Por falta de informação (feedback), ela iria realizar uma série de movimentos, mas não saberia com clareza quais deles foram corretos e quais não funcionaram como deveriam.

A tecnologia de Biofeedback permite que a pessoa receba informações visuais e sonoras que representam a atividade neurológica gerada pelos músculos, em tempo real. 

Myobox da neuroUP é um amplificador portátil e que é posicionado na pele com eletrodos adesivos. Portanto, esse recurso não é invasivo (sem cirurgia ou agulha), não causa dor e não emite corrente elétrica (não “dá choque”). 

O princípio de funcionamento é semelhante a um microfone, já que o equipamento realiza a captação e a amplificação dos sinais musculares. Esses dados são enviados por Bluetooth para que sejam analisados em Smartphones ou Tablets. 

Os amplificadores musculares possuem sensibilidade para detectar variações as mínimas na atividade dos músculos, mesmo que elas não sejam visíveis a olho nu. Esse procedimento de posicionamento na pele pode levar menos de 2 minutos para ser concluído.

Sessões de Biofeedback

Os treinamentos de Biofeedback são personalizados com base nas limitações de cada pessoa. Antes de iniciar a sessão, o sistema realiza uma calibração para entender quais são as capacidades de relaxamento e de atividade máxima da pessoal. 

O treinamento muscular pode ser realizado com níveis de intensidade leve, moderado ou intensoOs movimentos são realizados através de uma sequência aleatória de contrações musculares, com duração e intensidades determinadas pelo aplicativo. 

Dessa forma, é possível medir a capacidade de controle dos músculos. As contrações musculares são intercaladas com períodos de repouso para que a pessoa também aprenda a relaxar antes de iniciar um novo movimento.

A cada tentativa de contração, é possível medir a qualidade do disparo neurológico nos músculos. Esse feedback instantâneo gera estímulos sensoriais pela visão e audição que são importantes para favorecer o aprendizado motor.

E, além de facilitar o aumento da contração, a técnica também pode ser utilizada para ensinar a relaxar os músculos espásticos que dificultam a correta realização dos movimentos. 

Um estudo piloto realizando com o sistema portátil de Biofeedback da neuroUP demonstrou redução na atividade elétrica do bíceps braquial após duas sessões de relaxamento 5 .

Conclusão

O Biofeedback é um recurso seguro e que gera objetividade para a reabilitação das sequelas motoras do AVC.

Essa tecnologia permite a medição dos efeitos imediatos e da evolução dos treinamentos entre as sessões. 

Dessa forma, pode ser utilizado como um recurso adicional para potencializar os efeitos, acelerar os programas de treinamento e aumentar a adesão.

Portanto, o Biofeedback é um recurso capaz de promover engajamento e trazer esperança para que as pessoas não desistam de continuar o processo de reabilitação.

Bira Maciel

Diretor científico da neuroUP

Mestre em Neurociências pela UFPE

Fisioterapeuta pela UFPE/UCAM (Espanha)

ubirakitan@neuroup.com.br

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Referências

¹ Jonsdottir J, Cattaneo D, Recalcati M, Regola A, Rabuffetti M, Ferrarin M, Casiraghi A. Task-oriented biofeedback to improve gait in individuals with chronic stroke: motor learning approach. Neurorehabil Neural Repair. 2010 Jun;24(5):478-85.

²  Dost Sürücü G, Tezen Ö. The effect of EMG biofeedback on lower extremity functions in hemiplegic patients. Acta Neurol Belg. 2020 Jan 2.

³ Doğan-Aslan M, Nakipoğlu-Yüzer GF, Doğan A, Karabay I, Özgirgin N. The effect of electromyographic biofeedback treatment in improving upper extremity functioning of patients with hemiplegic stroke. J Stroke Cerebrovasc Dis. 2012 Apr;21(3):187-92.

⁴ Vieira D, Silva MB, Melo MC, Soares AB. Effect of myofeedback on the threshold of the stretch reflex response of post-stroke spastic patients. Disabil Rehabil. 2017 Mar;39(5):458-467. 

L. B. d. Santos-Cardozo, M. C. Moreira, U. M. Monteiro, A. Salvetti, A. Paula and M. C. Rodrigues, “Spasticity reduction through EMG Biofeedback relaxation in post-stroke patients: A pilot study,” 2017 International Conference on Virtual Rehabilitation (ICVR), Montreal, QC, 2017, pp. 1-3.

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